Segunda, 7 de janeiro de 2013
Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
Cerca de 20 índios jurunas estão bloqueando o acesso a um
dos três canteiros de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio
Xingu, estado do Pará, desde a madrugada de hoje (7). Segundo a Norte
Energia, empresa responsável pela construção e operação da usina, os
índios alegam que o empreendimento deixou as águas do rio turvas,
impedindo-os de pescar.
Para liberarem a pista, os índios estariam exigindo, além de R$ 300 mil
a título de compensação ambiental, a construção de poços artesianos nas
aldeias. A Agência Brasil tentou manter contato
telefônico com lideranças indígenas ou representantes de organizações
sociais que atuam na região, mas não conseguiu falar com nenhum deles.
Representantes da Norte Energia e dos jurunas vão se reunir amanhã (8) à
tarde para negociar o fim do bloqueio.
De acordo com a assessoria do Consórcio Construtor Belo Monte
(CCBM), os índios bloquearam a Travessão 27, uma estrada de terra que
liga a Rodovia Transamazônica a dois dos três canteiros de obras. Com
isso, os 15 ônibus que transportavam os funcionários do turno da manhã
não conseguiram chegar até o Sítio Pimental, canteiro a cerca de 69
quilômetros da cidade de Altamira e onde trabalham aproximadamente 4 mil
funcionários diretos e terceirizados.
O bloqueio causou a interrupção total dos serviços em Sítio Pimental,
mas não afetou o acesso aos outros dois canteiros de obras: Canais e
Diques, que também fica na Travessão 27, mas antes de Sítio Pimenta;, e
Sítio Belo Monte, a cerca de 30 quilômetros do local do bloqueio. Ainda
de acordo com a assessoria da CCBM, nenhum ato de violência física ou
dano ao empreendimento foi registrado até o momento.
Todos os
trabalhadores puderam deixar normalmente o local.
Em nota, a Norte Energia garantiu que vem procurando atender a todas
as necessidades das comunidades que vivem próximas ao empreendimento,
entregando cisternas e preparando, quando necessário, a construção de
poços artesianos, em conformidade com os acordos já assinados. Algumas
demandas, contudo, são complexas e exigem mais tempo. A empresa também
garantiu manter diálogo constante com as lideranças comunitárias.
