Sábado, 5 de novembro de 2011
Deu na VejaRelatos de diretores de ONGs, parlamentares e servidores revelam que caciques do PDT transformaram órgãos de controle da pasta em instrumento de extorsão
Para escapar das investigações, entidades precisam 'doar'
entre 5% e 15% do valor do contrato ao PDT de Carlos Lupi
(Obritonews)
Reportagem de VEJA desta semana revela que caciques do PDT comandados
pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, transformaram os órgãos de
controle da pasta em instrumento de extorsão. Conforme relatos de
diretores de ONGs, parlamentares e servidores públicos, o esquema
funciona assim: primeiro o ministério contrata entidades para dar cursos
de capacitação profissional, e depois assessores exigem propina de 5% a
15% para resolver 'pendências' que eles mesmos criam
Deputado federal Weverton Rocha: "equipe muito profissional"
De acordo com os relatos obtidos por VEJA, Weverton era um dos
responsáveis por fixar os valores da propina, e a Anderson cabia fazer o
primeiro contato. Feito o acerto, o dinheiro era entregue a um
emissário do grupo no Rio de Janeiro. "Você não tem defesa. Já prestou
serviço e sofre a ameaça de não receber. Se o sujeito te põe contra a
parede, o que você faz?", diz um dos dirigentes da ONG Oxigênio, outro
alvo de achaque, que admite ter desembolsado 50 mil reais para resolver
'pendências'. "Quando você tenta resistir, sua vida vira um inferno."
O Palácio do Planalto monitora o caso. Deputados federais do próprio
PDT contaram a Giles Azevedo, chefe de gabinete de Dilma, que Panella
estaria cobrando propina de ONGs. Por ordem da Casa Civil, Panella foi
demitido dias depois, em agosto. Panella nega. "Saí porque não me
adaptei a Brasília", diz o ex-chefe de gabinete de Lupi por quatro anos.
Weverton, que assumiu em outubro mandato de deputado federal, também
nega. "Quando uma entidade te procura, é porque ela tem problema, mas
nossa equipe sempre foi muito profissional", diz.
Escândalos em série - Em dez meses, escândalos em
série já derrubaram cinco ministros de Dilma Rouseff: Antonio Palocci
(Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi
(Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).
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