Sábado, 6 de julho de 2013
Trecho da coluna de Hélio Fernandes
Tribuna da Imprensa
Esse é o Obama de hoje, de agora, do segundo mandato. Chamou Snowden
de delator, de traidor, de tudo o que achava que podia. Snowden prestou
um serviço à comunidade mundial. Delator e traidor é o próprio Obama.
Deviam pedir o seu impeachment.
Snowden usou seu direito de contestar, de se expressar, de denunciar,
usando a PRIMEIRA EMENDA [da Constituição Americana], reverenciada e admirada pelo mundo inteiro.
Além de sequestrar seu direito de falar, Obama fez tais ameaças que o
jovem (29 anos) Snowden foi obrigado a sair dos EUA, o seu país, traído
pelo próprio presidente, eleito e reeleito com uma pretensa e suposta
esperança agora desmascarada.
O PRESIDENTE DOS EUA
IMPEDE 20 PAÍSES DE DAREM
ASILO A SNOWDEN
A perseguição de Obama a Snowden se transformou numa derrocada para a
democracia do mundo. Mais do que isso, é a exibição do poderio dos EUA,
sua arrogância e influência. Snowden tenta asilo em 20 países. Obama
deixa bem claro que “essa concessão seria considerada uma afronta aos
EUA”. E Snowden é mantido segregado, isolado e sequestrado no Aeroporto
de Moscou.
Ninguém sabe como isso terminará. O cidadão Snowden não pode ficar a
vida inteira num aeroporto, sequestrado por Obama pelo controle remoto.
O MÁXIMO EM DELÍRIO DE PODER: OBAMA
PRESSIONA PARA IMPEDIR AVIÃO DE MORALES
DE POUSAR, TENTA POSAR DE ESTADISTA
O presidente da Bolívia estava em Moscou para um encontro agendado
com o presidente da Rússia. Obama sabia, claro, quem quebra a
privacidade do mundo não ia ignorar esse fato. Como Morales é presidente
de um dos países que podem dar asilo a Snowden, Obama “desconfiou” que
ele sairia de Moscou no avião dele.
O presidente dos EUA começou intensa movimentação, para que o avião
oficial do presidente da Bolívia não pudesse aterrissar em lugar algum.
Se fosse na China, na própria Rússia ou outra potência não ocidental,
Obama ficaria em silencio. Mas a Bolívia é pobre, pode tripudiar.
Os países do Mercosul já deveriam ter tomado a decisão COLETIVA de
protestar, publicamente, em defesa do presidente de um país do Mercosul.
Por que não fazem esse protesto, digno e obrigatório? Porque,
INDIVIDUALMENTE, o Brasil, perdão, Dona Dilma, “não quer desagradar os
EUA”. A imagem dele, universal, desmanchada. A dela, pior ainda.
D-E-R-R-O-T-A-D-Í-S-S-I-M-A internamente, agora é triturada também
externamente.
O SILÊNCIO DOS PRESIDENCIÁVEIS
QUE NÃO ABANDONAVAM OS HOLOFOTES
Estão todos escondidos, ninguém diz nada. Como não têm a menor ideia
do que está acontecendo ou irá acontecer, se refugiam dentro deles
mesmos. Raramente falam com alguém pelo telefone, lembram o que está
acontecendo nos EUA, onde o presidente Obama “gravou” conversas de
milhões de pessoas lá mesmo ou no mundo inteiro.
Esses supostos candidatos nem sabem se seus partidos resistirão, continuarão existindo. Situação inexplicável para todos eles.
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PS – Interrogada se seu “governo tem padrão Fifa”, a presidente respondeu imediatamente: “Não, meu governo é padrão Felipão”.
PS2 – Dona Dilma não acerta uma. Há anos, quando as ditaduras
dominavam toda a América do Sul e Central, esse mesmo Felipão, agora
endeusado por comentaristas vários e pela própria presidente da
República, não escondia suas convicções.
PS3 – Sem que ninguém lhe perguntasse nada, Felipão afirmou
publicamente: “Tenho a maior admiração pelo general Pinochet”. Esse
general da “admiração” confessada por Felipão era “apenas” o
ditador-perseguidor-torturador, que derrubara e assassinara o presidente
eleito do Chile, Salvador Allende.
PS4 – Pinochet (como o também general torturador da Argentina,
Rafael Videla) não escondia que gostava de “se divertir à noite, indo
assistir torturas”.
PS5 – A única ligação de Pinochet com o esporte é que milhares e
milhares de cidadãos foram torturados e mortos no belo Estádio Nacional.
PS6 – Esse estádio foi construído para a Copa do Mundo de 1962,
realizada no Chile. A admiração de Felipão por Pinochet não vem da
construção do estádio.
PS7 – Quem quiser assistir, AO VIVO (não é jogo de palavras e sim
realidade), procure ver ou lembrar o grande filme de Costa-Gavras,
“Desaparecidos”. Se passa quase todo no Estádio Nacional, belíssimo, mas
na época, s-a-n-g-r-e-n-t-o.
PS8 – Felipão admirador do ditador torturador Pinochet e José
Maria Marin, servidor da ditadura e do corrupto Maluf, participou das
preliminares de assassinato de Herzog, O que fazer com eles?